Polemizar Pra Protestar (P.P.P.)

Teve uma vez que eu estava em minha terceira psicóloga (a que eu menos gostei), e ela me perguntou a seguinte questão (provavelmente, uma das que incomodava minha mãe, pelo fato d'eu ser roqueira e tudo o mais). Ela disse assim:

- Por que você se veste de preto? É como um luto? Pra chocar a sociedade? O que? - E então, eu ri.

Qual era a motivação que eu tinha pra me vestir de preto? Por que emagrecia? Por que eu sempre gostei da cor preta (é minha segunda cor favorita depois de vermelho)? Por que eu era roqueira, e usualmente, roqueiros se vestem de preto? Por que é o estilo do rock, e as camisas de banda geralmente são todas pretas? Sei lá... Respondi a ela.

- Sim. Acho que é pra polemizar. Acho que é pra ser diferente. Se destacar, se rebelar, se mostrar diferente da grande massa que passa, e segue as modas da tevê, do jornal, das revistas... Enquanto nós, roqueiros continuamos com as mesmas boas e velhas camisas pretas de banda, as mesmas boas e velhas calças jeans e os mesmos bons e velhos pares de All Star.

Hmmm... E quando penso nisso, acho engraçado.

As pessoas também podem usar "moda", ou seja, jeito de se vestir, estilo, para chocar, pra polemizar... Elas podem fazer como os punks (que hoje em dia, são considerados por muitos como "modistas"), que na época 70-80, usavam moicanos coloridos, roupas pretas cheias de rasgos, rebites e agulhas, com o DIY (faça-você-mesmo), eles costuravam (sim, não existiam lojas vendendo isso, só depois quando a "moda" estourou) suas próprias jaquetas, e pixavam suas camisas brancas com os nomes das bandas que eles curtiam e só precisavam mesmo era comprar os coturnos... E saíam nas ruas assim, também cheios de piercings e tatuagens, como amostras de suas ideologias e confronto a sociedade... E as pessoas ficavam horrorizadas com suas aparências e seus jeitos... Violentos e inconformados, verdadeiros jovens rebeldes, que pra muitos, poderiam não ter causa alguma. Mas uma coisa você tem que saber... Sempre há causa. A causa nunca vai faltar, seja pra qualquer classe social, ainda mais as "operárias".

Só que, como eu disse, depois o punk virou modismos, e os moicanos (que são usados por funkeiros, até hoje), as jaquetas de rebites (que foram usadas por emos), as vestes que não combinavam (nem vou falar nada), entre outros, depois viraram sinônimos de que... Você é fashion e segue a tendência. Ou seja, a história "meio que" se inverteu. E bom... Depois disso, incoformados, fizeram o "Oi!", onde como forma de protesto vários homens e mulheres rasparam suas cabeças (e seus moicanos), ficando completamente "pelados". A questão era sempre a mesma... Chocar. Claro que, se você visse um homem careca, você não ia ficar chocado. Mas se você visse uma mulher, talvez, isso chamasse sua atenção.

Bom, a ideia é chocar pra mudar. Os protestos são assim... São feitos de choque. E não necessariamente violentos. Podem ser até artísticos, mas eu sou totalmente contra a violência física (a não ser que não há escolhas! =D) para causar alguma mudança. Exemplo: Protesto contra carne animal, feito por vegans, onde as pessoas ficaram todas nuas, cheias de "sangue falso", dentro de embalagens gigantes de plástico e isopor, igual aqueles bifes e peitos de frango ficam nos congeladores dos supermercados. Porra! Fantástico! E olha que eu nem sou vegan! A Alanis fez um protesto "nua" sem estar "nua", contra os casacos feitos de pele animal, em uma apresentação de MODA! Alguns artistas fazem obras de arte para expressarem suas opiniões e as ideologias as quais eles defendem... E eu particularmente, acho isso LOUVÁVEL!

Ou seja... Polêmica pode sim se tornar um grande meio de protesto! Sim, porque muita gente sabe que, a não ser que você CHOQUE, provavelmente, você nunca vai mudar alguma coisa!

Vamos pegar o exemplo dos cigarros... Aqueles "avisos" que tem atrás deles! Vocês podem dizer "Ah! Mas isso não muda nada!", realmente, pode não mudar nada. Só que em compensação, para pra pensar... Decidindo tomar medidas mais drásticas, eles PIORARAM as fotos atrás, pra poder ficar MAIS CHOCANTE! Comerciais de carrosxbebidas e anti-drogas são sempre também os mais chocantes, geralmente, contanto histórias pra você se identiicar e CHOCAR!

Outra coisa que eu curto é fazer rolar a polêmica em minhas fics... Ligações Familiares, conta a história de Tia e Sobrinha que têm uma relação. Algumas fics minhas procuram polemizar a própria homossexualidade em si, mas de uma forma em que os leitores - mesmo os não-gays - se ponham no lugar das personagens e passem a pensar de uma maneira diferente. Em Ódio Incondicional e NAE, eu criei personagens travestis ou XXY, pra também serem polemizados, e por fim, levados ao ponto de se igualar a toda a sociedade, sem serem mais discriminados!

Ou seja... A primeiro ponto, a polêmica pode ser uma coisa ruim. Mas dependendo de seu nível, de sua forma de alcance, de seu meio e principalmente, de seu objetivo, pode se tornar uma coisa boa!

Algumas pessoas dizem que os gays não devem ter uma passeata. Isso porque, se os gays querem ser "como os outros", não deveriam ter uma festa pra separá-los do outros. Mas eu não estou de acordo com isso. Querer não é ser. Nós, gays, ainda não SOMOS como os outros, infelizmente! Ainda existe no exército e também nas empresas e lojas, o chamado DON'T ASK DON'T TELL, mesmo com as leis anti-preconceito (que eu nem acho que todas estejam em vigor pelo visto), e etc. No final das contas, ainda somos menosprezados... E pra mim, a parada é um meio de polêmica, de choque e de protesto. Alguém vai dizer: Certo, uma festa recheada de viados e sapatões, todos bem "vestidos" em seus padrões (porque a sociedade padroniza lésbicas e gays, como quem diz, "todos os gays são completamente afeminados" e "todas as lésbicas são umas caminhoneiras que querem ser homens"), pessoas bêbadas e músicas da moda. Onde isso seria um protesto? A questão é incomodar! Incomodar quem está incomodado, aproximar quem está indeciso (seja simpatizante, ou mesmo gays no armário ainda) e festejar sua própria condição com orgulho, com quem já é aceito por si próprio! Entende? Não é uma coisa inútil! Inútil seria não perceber o que os números dizem! E eles dizem que cada vez mais o número de pessoas em geral (até mesmo heterossexuais) andam participando da parada, todos os anos! Ou seja, esse número tem aumentado, mais e mais! Mostrando que não são só os gays que estão saindo -melhor- do armário, mas também os héteros estão começando a "simpatizar" e a se familiarizar, sem torcer seus narizes!

Claro que isso ainda não resolve TODO o problema, mas já ajuda muito.

Agora, com relação aos padrões e aos pré-conceitos já estabelecidos, só posso dizer que... Apesar de odiá-los, eu também tenho que admitir, que sempre que se tem uma forma de ódio a alguma coisa extremista, tem uma forma de ódio ao ódio disso. Er... Não deu pra entender? Bem, a questão é... Tive amigos que ficavam agindo de duas formas, uma em sua vida privada - com os amigos e namorados/ficantes - e outra com a família. Eu acho que o preconceito com os pré-conceitos gera isso também. Os próprios gays ficam com preconceito aos gays mais afeminados e passivos, por causa disso. Eu acho que as pessoas deviam esquecer dos conceitos, dos pré-conceitos, das auto-revoltas, e serem quem elas são, sem se preocupar com o que a sociedade diz, e nem com as minorias! E foda-se! Viva à diversidade!

Mas voltando ao assunto principal, sim, sim... A polêmica! E eu tenho aqui dois sujeitos pra mostrar, que explicam bem como isso funciona!

MARQUÊS DE SADE














Imagina um cara, na França, em pleno Século XVIII, escrevendo pornografia. Melhor, imagina esse mesmo cara, usando assuntos em suas pornografias como: Pedofilia, Necrofilia, Sadomasoquismo (Inclusive o "sadismo" saiu de seu nome), Zoofilia, Cropofagia, Assassinatos, entre outros...

Esse cara foi perseguido pela igreja católica como o próprio capeta. Ele escrevia seus romances indo de manicômios à prisões. E por que ele fazia isso? Simples. Pura e simples revolta contra a sociedade daquela época, e política, e PRINCIPALMENTE, a religião (no caso, o catolicismo).

Marquês de Sade era um PUNK, antes dos punks terem nascido! Ele protestava revoltado, usando sua arte, que era conhecida por ser suja, corrompida, imoral... Onde ele mostrava a crueldade e o egoísmo humano nú e crú pra quem queria ver! E vendia bem, vai por mim...

Wikipedia - Marquês de Sade


GG ALLIN























Agora imagina um REAL PUNK nos anos 70-80, que seus shows eram os mais polêmicos o possível! O vocalista ficava nú no palco, quebrava garrafas na própria cabeça, se batia até desmaiar, rolava nos cacos de vidro, batia em quem assistia, já chegou a praticar sexo oral no palco com uma fã ensandecida, defecava e lançava fezes em seus fãs que assistiam!

Sim, eu sei. É nojento, e eu provavelmente não iria num show dele! =D Mas em compensação, a ideologia que ele tinha pra fazer tudo o que fazia que era a melhor: Ele dizia ser contra as regrinhas estúpidas da sociedade. Ele fodia com quem queria. Ficava nu se queria. Fazia o que queria... Não tava nem aí. Ia de prisão em prisão, era proibido de entrar nos estados dos EUA, um por um, odiado na própria nação. Era um verdadeiro revoltado, incorformado, bêbado e doido de pedra!

Era como um Marquês de Sade da música. Que não se importava com o que os outros pensavam dele, só queria DESTRUIR e POLEMIZAR pra poder FODER com as regrinhas estúpidas dos que o rodeavam!

E estranhamente, também foi assim que GG Allin ficou "famoso" e ao mesmo tempo "odiado"...

Wikipedia - GG Allin

Claro que os dois são maneiras EXTREMAS de polemizar pra poder protestar... Mas significativamente, qualquer demonstração pública de anti-moral-religiosa ou anti-moral-da-sociedade-hipócrita é bem vinda, por parte de qualquer um. Aliás, hoje em dia, até uma demonstração interna de você pra você mesmo, já pode mudar um pouco o pensamento... E talvez dar um empurrão ao sentimento coletivo. É aquele esquema do "De grão em grão, a galinha enche o papo".

Existem por aí, vários outros artistas, musicistas (Kathleen Hannah, a repercurssora do punk feminista em Seattle, dando "vozes" mais fortes às mulheres; Até mesmo Madonna e Marilyn Manson fizeram coisas memoráveis... Ela contra a mídia púdica, na época, que proibia seus vídeos polêmicos, e ele contra a sociedade religiosa e hipócrita), poetas (Admiro os poetas da época do Álvares de Azevedo, que também polemizaram bastante... Ou os Modernistas, que saíram do canto seguro que o Romance Idealista oferecia, e mostrou a realidade a todos, indiretamente, protestando e "mostrando a cara"!), escritores, escultores (Aleijadinho era um! Vocês já viram uma obra dele onde ele faz Jesus, não só carregando a cruz, mas com as marcas de enforcamento ao redor do pescoço, simbolizando Tiradentes?), arquitetos, entre outros...

Todo o tipo de polêmica e protesto, mesmo que seja uma coisa "restrita", ou uma coisa "nojenta demais", ou até uma coisa "insignificante",... Qualquer forma de se mostrar inconformado perante a tudo o que nos desagrada, dentro do mundo da arte, é uma forma de protesto bem vindo! E geralmente, muito bem feito! Por pessoas corajosas... Principalmente!

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